


Resposta
1) Não procede a alegação de que minha descrição da produção intelectual de Baltazar Barbosa Filho e Guiado A. de Almeida seja falsa. Ela pode ser comprovada pelos depoimentos e bibliografia anexada ao final de cada entrevista. A lista das principais publicações de Baltazar Barbosa (pág. 427), por exemplo, resume-se a dois artigos, publicados um em 1982 e o outro em 1999. Esse fato desmente também a suposição de que construí meus juízos a partir de idiossincrasias pessoas, a não ser que, ante a exigência de “simpatias”, se considere desleal a busca de objetividade. Continuo estranhando a inclusão dos dois, tendo em vista a existência no país de vários outros filósofos excluídos, com obra extensa e reconhecida.
2) Raul Landim, na pág. 259 do livro, menciona “um grupo filosófico que tivesse como único critério de admissão a ‘qualidade’ filosófica”. Além dele próprio, nomeia, entre os expoentes desse grupo, Baltazar Barbosa e Guiado de Almeida. Entretanto, comparando as entrevistas em um bloco de perguntas comuns, não há como fugir à evidência; destituídas de originalidade, as respostas desse grupo estão muito aquém do desempenho dos demais entrevistados.
3) A institucionalização da filosofia no Brasil assume, às vezes, a forma de um retrocesso. No debate de ideias, a defesa de um modelo corporativo, burocrático e hierárquico conduz à substituição do confronto de argumentos pelo argumento de autoridade; à restrição do espaço público, vetando a crítica em nome da estipulação de códigos de conduta; por fim, à redução do pensamento dissidente a motivações pessoais, numa tentativa de esquadrinhar, enquadrar e controlar consciências.
Ricardo Musse